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Tipos de Mediunidade



"Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. (...) Pode, pois, dizer-se que todos são, mais ou menos, médiuns." (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo XIV).


Assim, conforme asseverou o Codificador, todos mantemos contato com o Mundo Espiritual, pois vivemos em incessante intercâmbio com o mesmo. Desta forma, ao fazermos uma oração recebemos o amparo da espiritualidade maior, do nosso protetor/mentor espiritual, entramos em contato com as usinas de força da Vida Maior. Por conseguinte, estamos exercendo a mediunidade, haja vista que recebemos a influência dos espíritos superiores. E, pela questão da sintonia vibratória, isso também vale para os espíritos menos elevados, pois quando alguém tem pensamentos inferiores, espíritos que se afinam com estes são atraídos. "O pensamento é o laço que nos une aos Espíritos, e pelo pensamento nós atraímos os que simpatizam com as nossas idéias e inclinações". Allan Kardec. Entretanto, usualmente só se chamam de médiuns “aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade, o que então depende de uma organização mais ou menos sensitiva”. (Allan Kardec, O Livro dos Médiuns, capítulo IX)

Posto isso, os principais tipos de mediunidade são:

 - Efeitos Físicos: este tipo pode ser dividido em dois grupos, ou seja, os facultativos - que têm consciência dos fenômenos por eles produzidos - e os involuntários ou naturais, que são inconscientes de suas faculdades, mas são usados pelos espíritos para promoverem manifestações fenomênicas sem que o saibam.

- Médiuns sensitivos ou impressionáveis: são pessoas suscetíveis de sentirem a presença dos espíritos por uma vaga impressão. Esta faculdade se desenvolve pelo hábito e pode adquirir tal sutileza, que aquele que a possui reconhece, pela impressão que experimenta, não só a natureza, boa ou má, do espírito que se aproxima, mas até a sua individualidade.


- Médiuns audientes ou clariaudientes: neste caso os médiuns ouvem a voz dos espíritos. O fenômeno manifesta-se algumas vezes como uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo. Outras vezes, dá-se como uma voz exterior, clara e distinta, semelhante a de uma pessoa viva. Os médiuns audientes podem, assim, estabelecer conversação com os espíritos.

- Médiuns videntes ou clarividentes: são dotados da faculdade de ver os espíritos. Cabe salientar que o médium não vê com os olhos, mas é a alma quem vê e por isso é que eles tanto vêem com os olhos fechados, como com os olhos abertos.

- Médiuns psicofônicos: neste tipo o médium serve como um instrumento pelo qual o espírito se comunica pela fala; assim, há a acoplação do perispírito do espírito comunicante no perispírito do médium, permitindo, assim, que o espírito utilize o aparelho fonador do médium para fazer uso da fala.

- Médiuns de cura: Este gênero de mediunidade consiste, principalmente, no dom que possuem certas pessoas de curar pelo simples toque, pelo olhar, mesmo por um gesto, sem o concurso de qualquer medicação. Dir-se-á, sem dúvida, que isso mais não é do que magnetismo. Evidentemente, o fluido magnético desempenha aí importante papel. Porém, quem examina cuidadosamente o fenômeno sem dificuldade reconhece que há mais alguma coisa. A magnetização ordinária é um verdadeiro tratamento seguido, regular e metódico. No caso que apreciamos, as coisas se passam de modo inteiramente diverso. Todos os magnetizadores são mais ou menos aptos a curar, desde que saibam conduzir-se convenientemente, ao passo que nos médiuns curadores a faculdade é espontânea e alguns até a possuem sem jamais terem ouvido falar de magnetismo. A intervenção de uma potência oculta, que é o que constitui a mediunidade, se faz manifesta, em certas circunstâncias, sobretudo se considerarmos que a maioria das pessoas que podem, com razão, ser qualificadas de médiuns curadores recorre à prece, que é uma verdadeira evocação. 

- Médiuns mecânicos: Quem examinar certos efeitos que se produzem nos movimentos da mesa, da cesta, ou da prancheta que escreve não poderá duvidar de uma ação diretamente exercida pelo Espírito sobre esses objetos. A cesta se agita por vezes com tanta violência, que escapa das mãos do médium e não raro se dirige a certas pessoas da assistência para nelas bater. Outras vezes, seus movimentos dão mostra de um sentimento afetuoso. O mesmo ocorre quando o lápis está colocado na mão do médium; frequentemente é atirado longe com força, ou, então, a mão, bem como a cesta, se agitam convulsivamente e batem na mesa de modo colérico, ainda quando o médium está possuído da maior calma e se admira de não ser senhor de si Digamos, de passagem, que tais efeitos demonstram sempre a presença de Espíritos imperfeitos; os Espíritos superiores são constantemente calmos, dignos e benévolos; se não são escutados convenientemente, retiram-se e outros lhes tomam o lugar. Pode, pois, o Espírito exprimir diretamente suas ideias, quer movimentando um objeto a que a mão do médium serve de simples ponto de apoio, quer acionando a própria mão. 

Quando atua diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e para, assim ele acaba. 



Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta; têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade, por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

- Médiuns intuitivos: 180. A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. E o que se chama médium intuitivo. 

Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à ideia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium. 

O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do médium intuitivo. 

- Médiuns semimecânicos: 181. No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o. Estes últimos médiuns são os mais numerosos .

- Médiuns inspirados: 182. Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste último gênero. A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam para o bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que querem o nosso bem e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir. Ela se aplica, em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar. Sob esse aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha seus Espíritos protetores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos protegidos salutares ideias. Se todos estivessem bem compenetrados desta verdade, ninguém deixaria de recorrer com frequência à inspiração do seu anjo de guarda, nos momentos em que se não sabe o que dizer, ou fazer. Que cada um, pois, o invoque com fervor e confiança, em caso de necessidade, e muito frequentemente se admirará das ideias que lhe surgem como por encanto, quer se trate de uma resolução a tomar, quer de alguma coisa a compor. Se nenhuma ideia surge, é que é preciso esperar. A prova de que a ideia que sobrevém é estranha à pessoa de quem se trate esta em que, se tal ideia lhe existira na mente, essa pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria razão para que ela se não manifestasse à vontade. Quem não é cego nada mais precisa fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser. Do mesmo modo, aquele que possui ideias próprias tem-nas sempre à disposição. Se elas não lhes vêm quando quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo. 

Também se podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de inteligência fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e de elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras. Nesses momentos, que com acerto se chamam de inspiração, as ideias abundam, sob um impulso involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior nos vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo. 

183. Os homens de gênio, de todas as espécies, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos e de conceber grandes coisas. Ora, precisamente porque os julgam capazes, é que os Espíritos, quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias e assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação. Se não esperasse ser atendido, por que exclamaria, tão frequentemente: meu bom gênio, vem em meu auxílio? 

As respostas seguintes confirmam esta asserção: 

a) Qual a causa primária da inspiração?
"O Espírito que se comunica pelo pensamento." 

b) A revelação das grandes coisas não é que constitui o objeto único da inspiração?
"Não, a inspiração se verifica, muitas vezes, com relação às mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo, queres ir a alguma parte: uma voz secreta te diz que não o faças, porque correrás perigo; ou, então, te diz que faças uma coisa em que não pensavas. É a inspiração. Poucas pessoas há que não tenham sido mais ou menos inspiradas em certos momentos." 

c) Um autor, um pintor, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração, ser considerados médiuns?
"Sim, porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais livre e como que desprendida da matéria; recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a inspiram." 

- Médiuns de pressentimentos: O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. 

Quando atua diretamente sobre a mão, o Espírito lhe dá uma impulsão de todo independente da vontade deste último. Ela se move sem interrupção e sem embargo do médium, enquanto o Espírito tem alguma coisa que dizer, e para, assim ele acaba. 

Nesta circunstância, o que caracteriza o fenômeno é que o médium não tem a menor consciência do que escreve. Quando se dá, no caso, a inconsciência absoluta; têm-se os médiuns chamados passivos ou mecânicos. E preciosa esta faculdade, por não permitir dúvida alguma sobre a independência do pensamento daquele que escreve.

- Médiuns intuitivos: 180. A transmissão do pensamento também se dá por meio do Espírito do médium, ou, melhor, de sua alma, pois que por este nome designamos o Espírito encarnado. O Espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para fazê-la escrever; não a toma, não a guia. Atua sobre a alma, com a qual se identifica. A alma, sob esse impulso, dirige a mão e esta dirige o lápis. Notemos aqui uma coisa importante: é que o Espírito livre não se substitui à alma, visto que não a pode deslocar. Domina-a, mau grado seu, e lhe imprime a sua vontade. Em tal circunstância, o papel da alma não é o de inteira passividade; ela recebe o pensamento do Espírito livre e o transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não exprima o seu próprio pensamento. E o que se chama médium intuitivo. 

Mas, sendo assim, dir-se-á, nada prova seja um Espírito estranho quem escreve e não o do médium. Efetivamente, a distinção é às vezes difícil de fazer-se, porém, pode acontecer que isso pouca importância apresente. Todavia, é possível reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido; nasce à medida que a escrita vai sendo traçada e, amiúde, é contrário à ideia que antecipadamente se formara. Pode mesmo estar fora dos limites dos conhecimentos e capacidades do médium. 

O papel do médium mecânico é o de uma máquina; o médium intuitivo age como o faria um intérprete. Este, de fato, para transmitir o pensamento, precisa compreendê-lo, apropriar-se dele, de certo modo, para traduzi-lo fielmente e, no entanto, esse pensamento não é seu, apenas lhe atravessa o cérebro. Tal precisamente o papel do médium intuitivo. 

- Médiuns semimecânicos: 181. No médium puramente mecânico, o movimento da mão independe da vontade; no médium intuitivo, o movimento é voluntário e facultativo. O médium semimecânico participa de ambos esses gêneros. Sente que à sua mão uma impulsão é dada, mau grado seu, mas, ao mesmo tempo, tem consciência do que escreve, à medida que as palavras se formam. No primeiro o pensamento vem depois do ato da escrita; no segundo, precede-o; no terceiro, acompanha-o. Estes últimos médiuns são os mais numerosos 

- Médiuns inspirados: 182. Todo aquele que, tanto no estado normal, como no de êxtase, recebe, pelo pensamento, comunicações estranhas às suas ideias preconcebidas, pode ser incluído na categoria dos médiuns inspirados. Estes, como se vê, formam uma variedade da mediunidade intuitiva, com a diferença de que a intervenção de uma força oculta é aí muito menos sensível, por isso que, ao inspirado, ainda é mais difícil distinguir o pensamento próprio do que lhe é sugerido. A espontaneidade é o que, sobretudo, caracteriza o pensamento deste último gênero. A inspiração nos vem dos Espíritos que nos influenciam para o bem, ou para o mal, porém, procede, principalmente, dos que querem o nosso bem e cujos conselhos muito amiúde cometemos o erro de não seguir. Ela se aplica, em todas as circunstâncias da vida, às resoluções que devamos tomar. Sob esse aspecto, pode dizer-se que todos são médiuns, porquanto não há quem não tenha seus Espíritos protetores e familiares, a se esforçarem por sugerir aos protegidos salutares ideias. Se todos estivessem bem compenetrados desta verdade, ninguém deixaria de recorrer com frequência à inspiração do seu anjo de guarda, nos momentos em que se não sabe o que dizer, ou fazer. Que cada um, pois, o invoque com fervor e confiança, em caso de necessidade, e muito frequentemente se admirará das ideias que lhe surgem como por encanto, quer se trate de uma resolução a tomar, quer de alguma coisa a compor. Se nenhuma ideia surge, é que é preciso esperar. A prova de que a ideia que sobrevém é estranha à pessoa de quem se trate esta em que, se tal ideia lhe existira na mente, essa pessoa seria senhora de, a qualquer momento, utilizá-la e não haveria razão para que ela se não manifestasse à vontade. Quem não é cego nada mais precisa fazer do que abrir os olhos, para ver quando quiser. Do mesmo modo, aquele que possui ideias próprias tem-nas sempre à disposição. Se elas não lhes vêm quando quer, é que está obrigado a buscá-las algures, que não no seu intimo. 

Também se podem incluir nesta categoria as pessoas que, sem serem dotadas de inteligência fora do comum e sem saírem do estado normal, têm relâmpagos de uma lucidez intelectual que lhes dá momentaneamente desabitual facilidade de concepção e de elocução e, em certos casos, o pressentimento de coisas futuras. Nesses momentos, que com acerto se chamam de inspiração, as ideias abundam, sob um impulso involuntário e quase febril. Parece que uma inteligência superior nos vem ajudar e que o nosso espírito se desembaraçou de um fardo. 

183. Os homens de gênio, de todas as espécies, artistas, sábios, literatos, são sem dúvida Espíritos adiantados, capazes de compreender por si mesmos e de conceber grandes coisas. Ora, precisamente porque os julgam capazes, é que os Espíritos, quando querem executar certos trabalhos, lhes sugerem as idéias necessárias e assim é que eles, as mais das vezes, são médiuns sem o saberem. Têm, no entanto, vaga intuição de uma assistência estranha, visto que todo aquele que apela para a inspiração, mais não faz do que uma evocação. Se não esperasse ser atendido, por que exclamaria, tão frequentemente: meu bom gênio, vem em meu auxílio? 

As respostas seguintes confirmam esta asserção: 

a) Qual a causa primária da inspiração?
"O Espírito que se comunica pelo pensamento." 

b) A revelação das grandes coisas não é que constitui o objeto único da inspiração?
"Não, a inspiração se verifica, muitas vezes, com relação às mais comuns circunstâncias da vida. Por exemplo, queres ir a alguma parte: uma voz secreta te diz que não o faças, porque correrás perigo; ou, então, te diz que faças uma coisa em que não pensavas. É a inspiração. Poucas pessoas há que não tenham sido mais ou menos inspiradas em certos momentos." 

c) Um autor, um pintor, por exemplo, poderiam, nos momentos de inspiração, ser considerados médiuns?
"Sim, porquanto, nesses momentos, a alma se lhes torna mais livre e como que desprendida da matéria; recobra uma parte das suas faculdades de Espírito e recebe mais facilmente as comunicações dos outros Espíritos que a inspiram." 

- Médiuns de pressentimentos: O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados. 


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Obsessão na Casa Espírita

Por: Márcio Martins da Silva Costa

Felisberto era encarregado do Departamento Doutrinário da Casa Espírita em que frequentava. Assumiu esta tarefa pela indicação unânime de todos os demais colegas, os quais o consideravam um exemplo de conhecimento da Doutrina. Sempre que havia alguma dúvida nos estudos, Felisberto era solicitado. Quando o Centro se preparava para algum seminário ou outro evento, era também Felisberto que indicava os livros de referência.

Anos se passaram, e o que era a satisfação e exemplo de trabalho foi transformando-se aos poucos em um orgulho velado por parte de Felisberto. O que antes era simplicidade passava a dar lugar a expressões imponentes, tais como: -“…e você não sabe isso? Não leu ainda?”, franzindo o rosto de maneira amarga.
Entre o vai-e-vem dos participantes dos grupos, novas pessoas foram chegando a Casa Espírita, conhecendo Felisberto como sendo uma das “autoridades” do Centro. Os mais novos nem se atreviam a se contrapor com questionamentos e perguntas, pois sabiam que poderiam ser rechaçados diante dos demais irmãos se o distinto coordenador estivesse por perto.
Sem encontrar pessoas dedicadas como ele à leitura detalhada da Doutrina, passou a assumir uma postura mais fechada. Quase não sorria mais. No seu entender, aquele seu perfil exemplificava a seriedade com a qual os estudos deveriam ser conduzidos.
Logo sua postura contagiou alguns confrades que também passaram a adotar um posicionamento mais sério. As reuniões da Diretoria, que antes eram realizadas em clima fraterno e feliz, passaram a ser conduzidas com certo constrangimento dos integrantes. Só havia espaço para a prece de abertura, as propostas de Felisberto, a apresentação de detalhes administrativos por outros membros e o encerramento com uma curta prece.
Anos de pequenas mudanças, imperceptíveis pela maioria, passaram a influenciar a psicosfera da Casa. O que antes representava acolhimento figurava-se agora como constrangimento. Iniciativas dos mais novos trabalhadores costumavam ser tolhidas, na justificativa de que eram necessários anos de estudo para estar à frente de qualquer atividade. A Casa já não lotava suas fileiras como antes.
Felisberto agora já exibia cabelos grisalhos e o rosto enrugado, quando uma mensagem fora recebido em uma reunião mediúnica. O tema da comunicação era o afastamento das pessoas do Centro. De acordo com o mentor espiritual da Casa, espíritos de regiões entenebrecidas pelo ódio e pela inveja do bem há anos se incomodavam com os resultados sublimes angariados pelos trabalhadores. Eles queriam impedir a continuação daquelas atividades redentoras. Mas precisavam partir de algum ponto.
Sem adentrar em detalhes, a comunicação destacava que um dos antigos e influentes trabalhadores do Centro fora escolhido para o início do ataque, em face de suas imperfeições morais sedimentadas ainda no orgulho e na vaidade. Assim, uma turba de espíritos passariam a obsidiá-lo com frequência até que houvesse a possibilidade de obsidiar outros também.
A mensagem se encerrava dizendo que ainda havia tempo para mudar todo aquele cenário. Mas deveria haver o concurso de todos na auto-vigilância e na prece contínua à luz dos ensinamentos do Evangelho.
Quando terminou a reunião, alguns dos presentes criaram em suas telas mentais a imagem de Felisberto. Mas poucos se mostraram inclinados a levar a mensagem para ele.
                                                                                       *  *  *
Allan Kardec detalha os processos obsessivos no Capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns. De acordo com a classificação proposta pelo codificador, os processos podem ser de obsessão simples, fascinação e subjugação, aumentando a sua gravidade, seguindo esta ordem [1].
O primeiro caso é negado por muitos, mas pode ocorrer com vários de nossos irmãos pelo natural intercâmbio existente entre o mundo corporal e o mundo espiritual. Basta criarmos conexões deletérias, geradas por pensamentos de baixo teor moral, tais como a inveja, a raiva, a ganância, o orgulho, etc. que estaremos propensos a abrir as portas para os espíritos inferiores que desejam nos dominar. Como efeitos, podemos perceber no obsidiado ideias fixas, desconfianças, desentendimentos em excesso, enfermidades, dentre outros.
No segundo caso, a fascinação, as consequências são mais graves. O obsidiado é envolvido em uma falsa percepção dos fatos, sendo iludido pelo espírito fascinador. Ele então passa a ter uma confiança cega naquilo que faz, acreditando que não está sendo influenciado. A crítica o perturba. Irrita-se com o próximo que se opõe a ele. Às vezes até crê que os demais em sua volta é que estão envolvidos em processos obsessivos. Achando-se dono da verdade, o obsidiado, muitas das vezes, sob a influência do espírito obsessor, procura afastar as pessoas que potencialmente poderiam lhe “abrir os olhos”, a fim de evitar a contradição e se manter na razão. Este processo geralmente é difícil de ser tratado, pois o obsidiado nem sempre aceita que está nesta situação.
No último caso, o obsidiado fica sob verdadeiro jugo, ou seja, sob domínio do espírito obsessor. Nesta situação, a vítima pode tomar decisões absurdas e comprometedoras; pode realizar atos motores involuntários e até perder a lucidez.
O pequeno conto apresentado, enriquecido com ingredientes potencialmente reais, apresenta um caso onde a invigilância do trabalhador abre gradativamente as portas para um processo obsessivo mais grave. Sem a observância da prece e da sintonia com os bons espíritos protetores e amigos, o obsidiado permite, sem se dar conta, de que suas imperfeições passam a criar conexões mentais com a espiritualidade inferior, a qual se aproveita da oportunidade atingir os demais trabalhadores da Casa.
De acordo com Allan Kardec, os meios de se combater os processos obsessivos variam de acordo com a situação estabelecida. Começar pela contínua vigilância e prece, procurando se desvencilhar de nossas más tendências e inclinações, já será um indicativo para o obsessor de que suas investidas são uma perda de tempo. Sendo paciente e persistente neste processo de melhoramento das condições morais fará o obsessor perceber de que não adianta dar continuidade ao processo.
Dependendo da insistência do obsessor, o processo ainda pode levar um tempo demasiado. Assim, devemos também buscar o acolhimento de nossos Espíritos protetores e o auxílio dos Espíritos simpáticos e amigos que nos assistem. Nunca estamos sozinhos e em cada encarnação sempre temos uma falange que torce pelo nosso êxito nesta vida. Juntemo-nos a eles.
Podemos, ainda, também receber preces de outros que, com certeza, nos ajudarão enviando mais amigos espirituais para nos apoiar. Mas nenhuma das preces será maior do que aquela oriunda do fundo de nossa alma, buscando o melhoramento de nossos atos e ações (não só físicos, como mentais), como também, em prol daqueles irmãos infelizes que estão ali tentando nos incomodar. Rezemos por nós, mas também rezemos pelos nossos obsessores. O desejo do bem a eles também os fará perceber o quanto perdem tempo em nos tentar iludir.
Durante o dia, busquemos manter a sintonia com pensamentos felizes, de amor, paz e caridade pelo próximo, seja ele encarnado ou não. Busquemos também identificar as nossas imperfeições, tentando mudá-las no momento em que elas ocorrerem, ou até mesmo evitá-las. À hora de dormir, façamos uma reflexão sobre o que poderíamos melhorar em nós mesmos. O que fizemos naquele dia que poderia ter sido mais produtivo para nós e para quem nos cerca.
Os nossos esforços no bem nos ajudarão a ascender nossas condições morais. Sob condições morais mais elevadas não seremos alvo de espíritos inferiores. Lembremo-nos de Jesus, nossa guia e modelo, cuja superioridade moral inquestionável afastava quaisquer possibilidades de obsessão.

Referência:
[1]      A. Kardec, O Livro dos Médiuns. 1861.

Como agem os Vampiros de energia?

                                                                                                                                                          
Uma história para refletirmos sobre como os Vampiros de Energia agem.. você tem orado e vigiado?

''Certa noite, cansado do Umbral, resolvi ir à festa. Entrei, sem a menor dificuldade, numa boate e me aproximei de um casal. Sentados na área externa do ambiente, o homem e a mulher tomam suas bebidas em grandes goles e riam descontroladamente, visivelmente embriagados.
- É agora! – Disse, animado
Simplesmente colei neles me beneficiando do álcool que fortemente exalavam. Ainda não era suficiente para o meu próprio “barato” e os influenciei para que comprassem mais bebida.
O homem se levantou e foi até o bar, enquanto que a mulher, para a minha alegria, tirou da bolsa um maço de cigarros, mas não encontrava o isqueiro. Agitada, começou a vasculhar a bolsa, mas eu, o localizando no zíper frontal, dei meu comando e logo ela acendeu o seu cigarro. Aspirei profundamente a fumaça, ainda quente de seus pulmões, relaxando com minha parceira da noite.
Continuamos a beber. O clima começou a ficar chato, pois a mulher demonstrava sono e foi então, que sugeri ao companheiro levá-la para dançar. Fui junto, me encostando em todos os que estavam à nossa volta, bebendo e fumando com eles.
Após uns minutos, avistei duas jovens, que eram bem mais vantajosas. Elas se dirigiram ao banheiro e peguei carona, pois sabia que o melhor estava por vir.
Ciente de suas intenções, distraí as duas mulheres que estavam na porta, fazendo com que elas desistissem e voltassem para a pista. Fiquei de sentinela, enquanto uma delas colocava sobre a pia um estojo espelhado com pó, oferecendo à amiga. Tudo sob controle, as duas se revezaram, limparam os narizes, lavaram as mãos e saíram.
Ainda não estava satisfeito. Foi então que segui um casal nada discreto, indo em direção à ala reservada somente aos casais. Facilmente os induzi à prática sexual, aproveitando-me das energias genésicas e disputando com outros, que grudaram em seus órgãos sexuais como lobos sobre um pedaço de carne.
Estava quase satisfeito – já bebera, fumara, experimentara as sensações do sexo, mas me faltava um pouco mais de emoção.
Deixei a casa noturna e peguei carona com uma turma de homens que planejavam um jogo, com aposta alta.
Na casa havia tudo o que eu já consumira. Fiquei na bebida e de olho no jogo. Percebi, pela conversa, qual era o indivíduo mais vulnerável e decidi atormentá-lo. Até agora eu apenas usufruíra, mas estava na hora de mais emoção e à custa dos panacas.
Célio era o seu nome. Faltava pouco para se divorciar. A esposa estava farta de suas noitadas, bebedeiras e das dívidas que contraíra. Eu o achei o alvo perfeito. Ele havia pedido dinheiro emprestado a um amigo, prometendo dividir com ele o prêmio e se perdesse, lhe pagaria uma caixa de bebidas.
Eu fiz de tudo para que Célio ganhasse a aposta. Confundi a cabeça dos jogadores, fiz com que trocassem as cartas, enfim, tudo entre xingamentos e brigas. Por fim, deixei que os ânimos se acalmassem para que Célio voltasse para casa... outra hora acertaria o que devia ao amigo.
Queria vê-lo em cena com a esposa, que o esperava, sem dormir, com os nervos alterados.
Nem bem entrara e Joana iniciou a discussão, o culpando, como sempre, por suas aventuras. Célio quis tranquiliza-la mostrando o dinheiro sujo e fazendo novas promessas de que tudo melhoraria, mas a mulher estava intratável e eu, eu dei uma forcinha, é claro. Para resumir, finalmente Joana pediu o divórcio e o resto, ah, o resto é resto; o que importa é que dei muita risada!
Já era de manhã e minha próxima parada foi na padaria, sendo que, logicamente eu não poderia comer, mas me fartaria através dos comilões. Me juntei a uma família, que fazia seu desjejum – um casal e dois filhos, dois meninos. A mesa era farta e eu abrira-lhes ainda mais o apetite. Comeram e beberam até não poderem mais e eu, igualmente estava cheio, cheio daquela energia toda.
Para deixar a minha marca antes de deixar o estabelecimento, provoquei outra confusão... uma confusãozinha apenas, briguinha de irmãos, que deixara o pai nervoso a ponto de enfartar... sim, ele era cardíaco. Foi interessante ver o alvoroço, a mulher apavorada, os filhos chorando e se culpando, a ambulância a todo vapor, mas logo me entediou.
Àquela hora, as lojas já estavam se abrindo. Para encerrar o meu passeio fui ao Shopping. Não foi difícil de localizar alguma madame. Acompanhei uma mulher bem vestida e a fiz parar em frente a uma vitrine de sapatos e bolsas. Agucei o seu interesse, dando dicas de sapatos e bolsas mais caros, sugestionando sua mente a se recordar dos cartões de crédito que ainda poderia usar.
Eu me sentia muito bem. Fiz a dondoca usar e abusar dos cartões. Ela estava feliz e eu, mais ainda, pois me alimentava de sua compulsão e euforia.
Agora era hora de voltar ao Umbral. Estavam me chamando e já me dava por satisfeito.
- Ah se estes encarnados soubessem como e o quanto podem ser manipulados! Eles podem e eu, quem disse que eu não posso? Vou, mas chamarei para o próximo passeio meus parceiros, assim nos divertiremos todos juntos! Afinal, tem para todos!''
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Obsessão simples segundo o Espiritismo



             Por: Eliseu Fortes

Essa influência ordinária a que se referia Kardec é a obsessão simples. Esse tipo de obsessão se dá quando o espírito inferior (obsessor) procura, através de sua persistência, interferir na vida dos seres encarnados (os vivos - obsediados) dando-lhes sugestões que, muitas vezes, são contrárias à sua forma de pensar.

A bem da verdade, o só fato de ser enganado, vez ou outra, por um espírito mentiroso, não significa que a pessoa esteja obsediada. A obsessão fica caracterizada com a ação persistente de um espírito, de forma que o obsediado não consegue dele se desembaraçar facilmente.

Convém ressaltar, ainda, que a obsessão simples é uma influência comum em quase todas as pessoas. Paulo, o apóstolo dos gentios, em sua epístola aos Hebreus, fazia referência a uma “tão grande nuvem de testemunhas que tão de perto nos rodeia”. E assim se dá, porque o intercâmbio entre o mundo físico e o mundo espiritual é algo natural. A humanidade (englobando vivos e mortos, encarnados e desencarnados) está em constante intercâmbio.

Em vista dessas informações, o importante é saber quando a interferência de um espírito desencarnado está gerando uma fixação, que nada mais é do que o aparecimento de uma ideia fixa que marca o início da instalação do processo obsessivo. Há que se ficar atento ao aparecimento de desconfianças excessivas, insegurança pessoal, enfermidades sem causas definidas, angústias, incertezas, perturbação interior, etc. Pode ocorrer, ainda, mudanças súbitas no temperamento habitual do obsediado, em razão das mensagens telepáticas emitidas pelo espírito obsessor.

Diante do que foi aqui informado, é correto dizer que somos todos “mais ou menos obsediados”, dependendo da nossa vibração mental, da nossa companhia espiritual, do esforço que fazemos para domar nossos pensamentos. Se uma pessoa quiser saber qual tipo de espírito a acompanha, basta se atentar para o que está pensando. Se o pensamento for mal, por evidente, a companhia espiritual não é boa. Aplica-se aqui o ditado: diga-me o que pensas e eu te direi que tipo de espírito está te acompanhando.

A proteção para se livrar da obsessão, seja ela qual for, é a reforma íntima e o apego aos bons pensamentos e às boas vibrações. Deus nos deu o livre arbítrio para escolhermos no que pensar. Se nos comprazemos em ter pensamentos ruins, evidentemente que iremos sofrer os efeitos da obsessão. Se decidirmos que vamos nos reformar interiormente, teremos a companhia dos nossos mentores espirituais que nos darão forças para sair do laço obsessivo.

Enfim, caros leitores, temos de ter inteligência para identificar a obsessão (sobretudo a simples), porque, muitas vezes, perdemos a qualidade de vida por não ficarmos alertas para essas influências que são corriqueiras. Cabe aqui a advertência do Cristo: vigiai e orai para não cairdes em tentação.



Homicídios Espirituais

Por: Cláudio Bueno Silva
Uma revelação importante que os espíritos trouxeram aos homens é a que diz respeito à influência que aqueles exercem sobre estes.
A uma pergunta que lhes foi feita, os habitantes do mundo invisível disseram que influem nos atos humanos muito mais do que se possa pensar por aqui, na Terra.
Essa revelação espantosa, da qual boa parte dos homens sequer suspeita, está contida em O Livro dos Espíritos, obra produzida pelos próprios espíritos e coordenada por Allan Kardec, depois de muita observação e estudos criteriosos.
Estes seres do outro mundo chegaram a afirmar que essa influência é tal, que “muito frequentemente são eles que nos dirigem”.
Embora Deus nos garanta a liberdade de pensar e agir, de fazer as nossas escolhas, nos dois lados da vida, essa informação não deixa de ser contundente. Por isso a questão das influências recíprocas precisa ser conhecida e estudada atentamente por todas as pessoas. Porque, segundo os espíritos, essa permuta é muito intensa e está presente em quase todas as circunstâncias da vida, ajudando a desencadear o bem ou o mal, dependendo das motivações que nutrem as relações entre os seres.
Pensando neste assunto, relacionei-o com o noticiário policial das tevês e jornais da atualidade. Praticamente todos os dias são divulgados dramas horrendos de variada espécie, mas com preponderância dos crimes de morte, que causam comoção e choque na sociedade de bem, pelas suas características de barbárie.
Há casos tão escabrosos que nos custa acreditar tenham sido provocados por pessoas normais, que circulam nas ruas, compram em shoppings, andam de metrô, levam e buscam os filhos à escola, enfim…
Em muitos episódios desse tipo, o nível de brutalidade, cálculo e frieza é tanto, que é difícil associar a façanha criminosa a pessoas com diploma universitário, bem apessoadas, sem antecedentes e até com bom histórico de rotina familiar. Mas, não são apenas estas que promovem barbaridades, pois não é o nível social, econômico e cultural que impede as pessoas de cometerem desatinos graves. O motivo fundamental é moral e tem a ver com a evolução espiritual do indivíduo.
Claro que não se pode avaliar o caráter de uma pessoa por coisas que ela nunca fez e muito menos pelos seus atributos exteriores, que podem muito bem ser ditados apenas pelo verniz social.
Mas, o intrigante é constatar que esses protagonistas delinquem, na maioria das vezes, por causas e motivos absolutamente fúteis. Parece não fazer sentido algum! Será que agem sozinhos, por conta própria? O que haverá por trás desses crimes chocantes praticados por pessoas que demonstram insensibilidade para com a vida do outro, aparentando não se importar com as consequências?
O espírito Manoel Philomeno de Miranda, através da psicografia de Divaldo Franco, fornece curiosas informações sobre o assunto no seu livro Tormentos da Obsessão.
Baseadas na lei de afinidade e semelhança, que aproxima as pessoas encarnadas e desencarnadas, dão-se as influências recíprocas, que podem variar de um extremo a outro: da benéfica intuição de um bom espírito, à perseguição premeditada de um espírito mau.
Conforme orienta Manoel Philomeno, o intercâmbio espiritual está na raiz de inumeráveis males que afetam a coletividade humana. Na forma da obsessão, onde um ser influencia maléfica e continuadamente a outro, ocorrem muitos desses crimes, cujas causas espirituais não são sequer suspeitadas pela maioria.
Espíritos vingativos, obsediando pessoas, jogam-nas contra seus desafetos e inimigos. E, nas tramas, onde muitas vezes uns devem aos outros, enredados entre si, os maus espíritos se utilizam das fragilidades morais das suas vítimas, para dar cabo da vida de outros, naquilo que Philomeno de Miranda chamou de “assassinato de cunho espiritual”, no capítulo “Reminiscências”, do citado livro.
Assim, através de interferências na conduta mental e moral de quem obsediam, essas entidades a serviço do mal seguem “armando-lhes as mãos para a consumação dos nefastos crimes”.
Na verdade, em muitas situações, os crimes têm dois autores, um encarnado (teleguiado) e outro desencarnado. O que sabem somente aqueles que já tomaram conhecimento das profundas relações entre os dois mundos, e por isso se cuidam.


Saiba mais em:
1 - Tormentos da Obsessão, de Manoel P. de Miranda, psicografia de Divaldo Franco, LEAL Editora, 2001.
2 - O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, “Intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo”, LAKE Editora, 1978.