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Raul Teixeira aborda a adoção por homossexuais em uma visão espírita



  O médium, palestrante e escritor espírita Raul Teixeira comenta: “O amor não tem sexo. Como é que podemos imaginar que o melhor para uma criança é ser criada na rua, ao relento, submetida a todo tipo de execração, a ser criada nutrida, abençoada por um lar de casal homossexual? Muita gente assevera que a criança corre riscos. Mas como? Nós estamos acompanhando as crianças correndo riscos nas casas de seus pais heterossexuais todos os dias!

  Outros afirmam que a criança criada por homossexuais poderá adotar a mesma postura, a mesma orientação sexual. O que também é falso. A massa de homossexuais do mundo advêm de lares heterossexuais. Então, teremos de concluir que são os casais heterossexuais que formam os homossexuais. Logo, não devemos entrar nessa discussão que é tola e preconceituosa. Aquele que tem amor para dar, que dê.”

   Amemos nossos filhos, sem cogitar se nos vieram aos braços pela descendência física ou não, como encargo abençoado com que o Céu nos presenteia. Encerremos com Emmanuel: “Recorda que, em última instância, seja qual seja a nossa posição nas equipes familiares da Terra, somos, acima de tudo, filhos de Deus”.

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Filhos adotivos na visão espírita


   Pela visão espírita, todos somos adotados porque o único Pai legítimo é Deus. Os pais da Terra não SÃO nossos pais, eles ESTÃO nossos pais, porque a cada encarnação, mudamos de pais consanguíneos, mas em todas elas Deus é sempre o mesmo Pai. 

   Mas, para entendermos melhor a existência desta experiência na vida de muitos pais, é necessário analisá-lo sob a óptica espírita, sob a luz da reencarnação.

   A formação de um lar é um planejamento que se desenvolve no Mundo Espiritual. Sabemos que nada ocorre por acaso. Assim como filhos biológicos, nossos filhos adotivos também são companheiros de vidas passadas. E nossa vida de hoje é resultado do que angariamos para nós mesmos, no passado. Surge, então, a indagação: “se são velhos conhecidos e deverão se encontrar no mesmo lar, por que já não nasceram como filhos naturais?”.

   Na literatura espírita encontramos vários casos de filhos que, em função do orgulho, do egoísmo e da vaidade, se tornaram tiranos de seus pais, escravizando-os aos seus caprichos e pagando com ingratidão e dor a ternura e zelo paternos.

   De retorno à Pátria Espiritual (ao desencarnarem), ao despertarem-lhes a consciência e entenderem a gravidade de suas faltas, passam a trabalhar para recuperarem o tempo perdido e se reconciliarem com aqueles a quem lesaram afetivamente.

   Assim, reencontram aqueles mesmos pais a quem não valorizaram, para devolver-lhes a afeição machucada, resgatando o carinho, o amor e a ternura de ontem. Porque a lei é a de Causa e Efeito. 

   Não aproveitada a convivência com pais amorosos e desvelados, é da Lei Divina que retomem o contato com eles como filhos de outros pais chegando-lhes aos braços pelas vias de adoção.

   Aos pais cabe o trabalho de orientar estes filhos e conduzi-los ao caminho do bem, independente de serem filhos consanguíneos ou não. 

   A responsabilidade de pais permanece a mesma. Recebendo eles no lar a abençoada experiência da adoção, Deus sinaliza aos cônjuges estar confiando em sua capacidade de amar e ensinar, perdoar e auxiliar aos companheiros que retornam para hoje valorizarem o desvelo e atenção que ontem não souberam fazer.

   Trazem no coração desequilíbrios de outros tempos ou arrependimento doloroso para a solução dos quais pedem, ao reencarnarem, a ajuda daqueles que os acolhem, não como filhos do corpo, mas sim filhos do coração. Allan Kardec elucida: “Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias”.

DEVEMOS ESCONDER QUE ELES SÃO ADOTIVOS?


   Um dos maiores erros que alguns pais adotivos cometem é o de esconder a verdade aos seus filhos. É importante, desde cedo, não esconder a verdade.


   Ás vezes fazem por amor, já que os consideram totalmente como filhos; outros o fazem por medo de perder a afeição e o carinho deles. Quando os filhos adotivos crescem, aprendendo no lar valores morais elevados, sentem-se mais amados por entenderem que o são, não por terem nascido de seus pais, mas sim frutos de afeição sincera e real, e passam a entender que são filhos queridos do coração.

   Revelar-lhes a verdade somente na idade adulta é destruir-lhes todas as alegrias vividas, é alterar-lhes a condição de filhos queridos em órfãos asilados à guisa de pena e compaixão.

   Não devemos traumatizá-los, livrando-os do risco de perderem a oportunidade de aprendizado no hoje. André Luiz esclarece-nos quanto a este perigo: “Filhos adotivos, quando crescem ignorando a verdade, costumam trazer enormes complicações, principalmente quando ouvem esclarecimentos de outras pessoas”.

   Identicamente ao que ocorre em relação aos nossos filhos biológicos, buscar o diálogo franco e sincero, com base no respeito mútuo, sob a luz da orientação cristã de conduta. Pais que conversam com os filhos fortalecem os laços afetivos, tornando a questão da adoção coisa secundária. Recebendo em nossa jornada terrena a oportunidade de ter em nosso lar um filho adotivo, guardemos no coração a certeza de que Jesus está nos confiando a responsabilidade sagrada de superar o próprio orgulho e vaidade, amando verdadeiramente e desinteressadamente a criatura de Deus confiada em trabalho de educação e amparo.

   E, ajudando-o a superar suas próprias mazelas, amanhã poderá retornar ao seio daqueles que o amam na posição de filho legítimo.

É CERTO A ADOÇÃO POR CASAIS HOMOSSEXUAIS?

   Raul Teixeira responde: “O amor não tem sexo. Como é que podemos imaginar que o melhor para uma criança é ser criada na rua, ao relento, submetida a todo tipo de execração, a ser criada nutrida, abençoada por um lar de casal homossexual? Muita gente assevera que a criança corre riscos. Mas como?


   Nós estamos acompanhando as crianças correndo riscos nas casas de seus pais heterossexuais todos os dias.

  Outros afirmam que a criança criada por homossexuais poderá adotar a mesma postura, a mesma orientação sexual. O que também é falso. A massa de homossexuais do mundo advêm de lares heterossexuais. Então, teremos de concluir que são os casais heterossexuais que formam os homossexuais. Logo, não devemos entrar nessa discussão que é tola e preconceituosa. Aquele que tem amor para dar, que dê.”

   Amemos nossos filhos, sem cogitar se nos vieram aos braços pela descendência física ou não, como encargo abençoado com que o Céu nos presenteia. Encerremos com Emmanuel: “Recorda que, em última instância, seja qual seja a nossa posição nas equipes familiares da Terra, somos, acima de tudo, filhos de Deus”.

Paternidade e Maternidade na visão Espírita


Questão 582 de "O Livro dos Espíritos" - Pode se considerar como missão a paternidade?

"É, sem dúvida, uma missão, e é ao mesmo tempo um dever muito grande que obriga, mais que o homem pensa, sua responsabilidade diante do futuro. Deus colocou a criança sob a tutela de seus pais para que esses a dirijam no caminho do bem, e facilito
u a tarefa, dando à criança um organismo frágil e delicado que a torna acessível a todas as influências. Mas há os que se ocupam mais em endireitar as árvores de seu pomar e as fazer produzir bons frutos do que endireitar o caráter de seu filho. Se esse fracassa por erro deles, carregarão a pena e os sofrimentos do filho na vida futura, que recairão sobre eles, porque não fizeram o que deles dependia para seu adiantamento no caminho do bem".

Segundo o livro “Nos Domínios da Mediunidade”, André Luiz , através da psicografia do médium Chico Xavier esclarece que a paternidade vai além da missão de educador; é abordada com enfoque maior ao progresso moral, como evidencia o trecho a seguir [...] "A paternidade e a maternidade, dignamente vividas no mundo, constituem sacerdócio dos mais altos para o Espírito reencarnado na Terra, pois através dela a regeneração e o progresso se efetuam com segurança e clareza" [...]


Adoção

Por Emmanuel


Filhos existem no mundo que reclamam compreensão mais profunda para que a existência se lhes torne psicologicamente menos difícil.

Reportamo-nos aos filhos adotivos que abordam o lar pelas vias da provação, sem deixarem de ser criaturas que amamos enternecidamente.

Coloquemo-nos na situação deles para mais claro entendimento do assunto.

Muitos de nós, nas estâncias do pretérito, teremos pisoteado os corações afetuosos que nos acolheram em casa, seja escravizando-os aos nossos caprichos ou apunhalando-lhes a alma a golpes de ingratidão. Desacreditando-lhes os esforços e dilapidando-lhes as energias, quase sempre lhes impusemos aflição por reconforto, a exigir-lhes sacrifícios incessantes até que lhes ofertamos a morte em sofrimento pelo berço que nos deram em flores de esperança.

Um dia, no entanto, desembarcados no mais além, percebemos a extensão de nossos erros e, de consciência desperta, lastimamos as próprias faltas.

Corre o tempo e, quando aqueles mesmos espíritos queridos que nos serviram de pais retornam à Terra em alegre comunhão afetiva, ansiamos retomar-lhes o calor da ternura, mas, nesse passo da experiência, os princípios da reencarnação, em muitas circunstâncias, tão somente nos permitem desfrutar-lhes a convivência na posição de filhos alheios, a fim de aprendermos a entesourar o amor verdadeiro nos alicerces da humildade.

Reflitamos nisso. E se tens na Terra filhos por adoção, habituem-te a dialogar com eles, tão cedo quanto possível, para que se desenvolvam no plano físico sob o conhecimento da verdade. Auxilia-os a reconhecer, desde cedo, que são agora teus filhos do coração, buscando reajustamento afetivo no lar, a fim de que não sejam traumatizados na idade adulta por revelações à base de violência, em que frequentemente se lhes acordam no ser as labaredas da afeição possessiva de outras épocas, em forma de ciúme e revolta, inveja e desesperação.

Efetivamente, amas aos filhos adotivos com a mesma abnegação com que te empenhas a construir a felicidade dos rebentos do próprio sangue. Entretanto, não lhes ocultes a realidade da própria situação para que não te oponha à lei de causa e efeito que os trouxe de novo ao teu convívio, a fim de olvidarem os desequilíbrios passionais que lhes marcavam a conduta em outro tempo.

Para isso, recorda que, em última instância, seja qual seja a nossa posição nas equipes familiares da Terra, somos, acima de tudo, filhos de Deus.

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Como devem se comportar os pais de um jovem que se descubra homossexual?

Por: Andrei Moreira


Aos pais de uma pessoa homossexual cabe o acolhimento integral e amoroso do indivíduo, com aceitação de sua condição, que nada mais é que uma das características da personalidade. Ser homossexual não é sinônimo de ser promíscuo, inferior, afeminado (para homens) ou masculinizado (para mulheres). Simplesmente atesta que o indivíduo se realiza sexual e afetivamente no encontro entre iguais. A pessoa homossexual deve receber a mesma instrução e educação a respeito da sexualidade que os heterossexuais, a fim de bem direcionar as suas energias e esforços no sentido da construção do afeto com quem eleja como parceiro (a). A postura na vivência da sexualidade, para homossexuais, deve ser a mesma aconselhada pelos espíritos a heterossexuais: dignidade, respeito a si mesmo e ao outro,  valorização da família, da parceria afetiva profunda no casamento e dedicação da energia sexual criativa em benefício da comunidade em que está  inserido.

O acolhimento amoroso da família é fundamental para que o indivíduo homossexual possa se aceitar, se compreender, entendendo o papel dessa condição em sua vida atual, e para que se sinta digno e responsável perante suas escolhas. A luta, para aqueles que vivem essa condição, é grande, a fim de afirmar a sua autoestima em uma sociedade que banaliza a condição sexual e vulgariza a diferença. A família é o núcleo onde se encontram corações compromissados em projetos reencarnatórios comuns, com vínculos pessoais de cada um com o passado daqueles que com eles convivem, devendo ser cada membro dessa célula da sociedade, um esteio para que o melhor do outro venha à tona, por meio da experiência amorosa.

O que é o casamento para o Espiritismo?


O Espiritismo acredita que o verdadeiro casamento é a união de duas almas que se amam.

O amor é a celebração máxima e por isso não realiza tal ritual religioso em suas instituições, sendo necessário apenas legaliza-lo perante a lei, diante dos olhos dos homens, pois aos de Deus, aquelas almas já são casadas.

Não há problemas em casar-se na Igreja, caso o casal veja a necessidade, uma vez que tudo que é de Deus não faz mal e o espiritismo respeita as diferenças religiosas.

Apesar de não ter rituais, o Espiritismo respeita os rituais das diferentes religiões, uma vez que sabemos que não há mal nenhum se forem feitos com sentimento de fé verdadeiro.

Em Família Espiritual

Por: Emmanuel
Psicografia: Francisco Cândido Xavier

"Porque vês o argueiro no olho de teu irmão,
sem notar a trave que está no teu próprio?"
(Mateus, 7:3)

Quanto mais nos adentramos no conhecimento de nós mesmos, mais se nos impõe a obrigação de compreender e desculpar, na sustentação do equilíbrio em nós e em torno de nós.
Daí a necessidade da convivência, em que nos espelhamos uns aos outros, não para criticar-nos, mas para entender-nos, através de bendita reciprocidade, nos vários cursos de tolerância, em que a vida nos situa, no clima da evolução terrestre.
Assim é que, no educandário da existência, aquele companheiro:
Que somente identifica o lado imperfeito dos seus irmãos, sem observar-lhes a boa parte;
Que jamais se vê disposto a esquecer as ofensas de que haja sido objeto;
Que apenas se lembra dos adversários com o propósito de arrasá-los, sem reconhecer-lhes as dificuldades e os sofrimentos;
Que não analisa as razões dos outros, a fixar-se unicamente nos direitos que julga pertencer-lhes;
Que não se enxerga passível de censura ou de advertência, em momento algum;
Que se considera invulnerável nas opiniões que emita ou na conduta que espose;
Que não reconhece as próprias falhas e vigia incessantemente as faltas alheias;
Que não se dispões a pronunciar uma só frase de consolação e esperança, em favor dos caídos na penúria moral;
Que se utiliza da verdade exclusivamente para ameaçar ou ferir...
Será talvez de todos nós aquele que mais exija entendimento e ternura, de vez que, desajustado na intolerância, se mostra sempre desvalido de paz e necessitado de amor.

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Honrar pai e mãe

Por: D.Villela
A recomendação relativa aos deveres dos filhos para com seus pais é bem antiga, pois figura no Decálogo recebido por Moisés no Monte Sinai, há cerca de 3.500 anos.
Na verdade, os dois primeiros mandamentos - amor a Deus e ao próximo - já contêm toda a orientação de que necessitamos, contudo, dada a nossa imaturidade, foi necessário desdobrá-los em preceitos específicos: não roubar, não matar, honrar pai e mãe...
É válido examinar, então, por que a referência expressa ao comportamento dos filhos quando não houve recomendação análoga, prescrevendo aos pais o cuidado com a prole.
Sabemos que a preocupação com os descendentes, além de um componente instintivo, possui também outras motivações. No passado, quando a maioria da população vivia nos campos, filhos numerosos e sadios significavam mais braços para o trabalho que, por sinal, começava ainda na infância, e mais recursos para a família. Por outro lado, meninos e meninas desenvolvem-se física e intelectualmente, podendo assumir responsabilidades e oferecendo, assim, como que um retorno emocional - e, por vezes, material - aos esforços despendidos pelos pais. Naturalmente isso não ocorre no outro extremo da existência, quando o desgaste produzido pelos anos reduz a capacidade de ação tendendo a tornar dependentes as pessoas mais idosas.
Mas é claro que existe sempre uma dimensão moral nesse relacionamento, pois tanto jovens como velhos são igualmente aptos a receber e dar amor, carinho, alegria e os últimos, além disso, a nos oferecer os valiosos frutos da experiência.
A luta material, ontem como hoje, muitas vezes áspera, leva, não raro, o homem a negligenciar suas obrigações nesse terreno, assistindo os filhos mas falhando com relação àqueles que lhe proporcionaram a vida material aos quais ajuda financeiramente, sonegando-lhes, no entanto, o que é mais importante: a presença e o afeto. Os genitores são procurados enquanto dispõem de vigor que lhes permita participar das tarefas da família mas, depois, quando as forças escasseiam, ocorrem o distanciamento, o isolamento e até o abandono.
Todos sabem que a época atual trouxe mobilidade maior ao trabalho, levando, frequentemente, os moços a buscá-lo longe do local em que nasceram. Ainda assim prossegue exequível a prescrição divina, pois é sempre possível telefonar, escrever, enfim, lembrar das pessoas queridas, mesmo distantes.
Abordando esse tema, Allan Kardec é incisivo ao focalizar a ingratidão filial: "Ai, pois, daquele que olvida o que deve aos que o ampararam em sua fraqueza, que com a vida material lhe deram a vida moral, que muitas vezes se impuseram duras privações para lhe garantir o bem-estar. Ai do ingrato: será punido com a ingratidão e o abandono; será ferido nas suas mais caras afeições, algumas vezes já na existência atual, mas com certeza noutra, em que sofrerá o que houver feito aos outros".
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Considerações sobre a Família

Por: Luiz Gonzaga Scalzitti
Pai, Mãe, Filho, Parentes.
O convívio, familiar, social, educacional, profissional.
Conceitos de Família:-
-O conjunto de pai, mãe, filhos; pessoas do mesmo sangue; descendência; linhagem; história natural, agrupamento de gêneros ou tribos vegetais ou animais, ligados por caracteres comuns; gramática, conjunto de vocábulos que tem a mesma raiz.
Além de outros que se poderiam considerar mas aqui não é o caso.
Consideremos alguns pontos relevantes para o nosso entendimento.
Quando nos referimos a Família dos seres inteligentes da natureza, precisamos considerar um leque enorme de pontos do relacionamento.
Consideremos pois que cada ser tem uma personalidade que não é necessariamente idêntica à dos seus semelhantes embora pelo gênero pertença à mesma família. Se por um lado isso é bom porque caracteriza a individualidade e assim o livre-arbítrio de cada um, por outro pode gerar pontos divergentes entre si.
Os pontos divergentes, dependendo da educação moral e intelectual de cada ser, pode resultar em discórdias odiosas e chegar à violência. É evidente que esta faixa entre a aceitação de cada um e a extrema discordância são muito extensa e apresenta matizes variados seja do ponto de vista intelectual ou moral dos indivíduos.
Podemos com esse raciocínio concluir que as diversidades de relacionamento são infinitas e muito surpreendentes.
A maneira pela qual se conduz o relacionamento resulta em sentimentos que podem ser bons, agradáveis ou maus, desagradáveis.
Após estas reflexões mínimas, passemos ao entendimento da Família propriamente dita, no núcleo do lar abençoado em que vivemos.
O pai, e a mãe, seres que por afinidade que chamamos amor, que se uniram um dia pelos laços do matrimonio, também seres com dificuldades próprias, e portanto não são perfeitos, mas devem envidar todos os esforços para cumprir com zelo e amor a tarefa da criação dos filhos.
Devemos considerar as dificuldades naturais que consagram esta tarefa. Porém, os filhos carecem de cuidados especiais tais como a descoberta do mundo através dos princípios passados de forma carinhosa e terna pela mãe e pelo pai. A cultura e o aprendizado estão para a criança, assim como o amor e a segurança, pois ela tem em si experiências e conceitos que só precisam desse clima familiar para ser desenvolvido.
Consideremos os filhos como pequenas flores delicadas que precisam de acolhimento, respeito e segurança. Essa é a fase em que irá se formar o caráter dele. Sim, porque esta é a fase complexa da criação, descobertas e educação, trazem aos filhos dificuldades enormes que só o sentimento de amor pode neutralizar.
Quando o menino atinge a idade da juventude irá atravessar uma transformação muito importante e severa, pois é o tempo em que experimenta o estar só e a tomada de suas próprias decisões, sente por isso o peso da responsabilidade.
É aí que notamos o resultado do trabalho da mãe e do pai na infância que deveria agora lhe conferir serenidade e confiança.
Se por outro lado o trabalho não foi bem executado, se lhe faltou segurança, ele pode tornar-se inflexível, rígido e violento, pois não tem serenidade e confiança. Não desenvolveu os sentimentos mais sublimes da humildade, e não quer agora se submeter à colaboração da família e muitas vezes recorrem aos amigos que em geral não são os mais indicados a esse esclarecimento.
Assim como  alguns pais que movidos pelo mesmo orgulho não aceitam auxilio familiar nem profissional, nem mesmo de amigos mais esclarecidos.
Concluindo nosso pensamento e considerando que somos Espíritos reencarnados na trajetória, cuja meta é perfeição, não fica difícil imaginar que em meio a esta luta precisamos ultrapassar obstáculos que nos permitam, compreendendo e aceitando o desafio, somar experiências evolutivas.
Sabemos também que em meio às idas e vindas ao mundo material e espiritual nos comprometemos no relacionamento com Espíritos, o que nos faz necessitados de novas oportunidades juntos deles para podermos sanar diferenças sedimentadas como histórico devedor em nosso íntimo.
Portanto, nada mais justo e correto que nos esforçarmos para reparar o mal que tenhamos praticado, ajustando Espíritos que ajudamos a se perderem. E nada de conivências em nome do respeito ao livre-arbítrio, precisamos ser, de fato, educadores de alma, ou pelo menos tentar, mas não esmorecer.
Mas, para isso precisamos estar sempre atentos e nos preparar continuamente seja para o início correto da criação, seja a condução mais coerente e acertada do ser criado em dificuldades morais e intelectuais resultantes de nossa própria falta.

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Reflexões Sobre a Missão Educadora dos Pais

Pode-se considerar como missão a paternidade?
"É , sem contestação possível, uma verdadeira missão.
É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do
que pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro".

(O Livro dos Espíritos-questão 582)

Os males da Humanidade provêm da imperfeição dos homens; pelos seus vícios é que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias.
O princípio do melhoramento está na natureza das crenças, porque estas constituem o móvel das ações e modificam os sentimentos. Também está nas idéias aprendidas desde a infância e que se identificam com o Espírito; está ainda nas idéias que o desenvolvimento ulterior da inteligência e da razão podem fortalecer, nunca destruir. É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade.
O progresso individual não consiste apenas no desenvolvimento da inteligência, na aquisição de alguns conhecimentos. Nisso mais não há do que uma parte do progresso, que não conduz necessariamente ao bem, pois que há homens que usam mal do seu saber. O progresso consiste, sobretudo, no melhoramento moral, na depuração do Espírito, na extirpação dos maus germens que em nós existem.
A Doutrina Espírita, melhor do que qualquer outra, põe em relevo a necessidade da melhoria individual. Por meio dela, sabe o homem donde vem, para onde vai, por que está na Terra; o bem tem um objetivo, uma utilidade prática. Ela não se limita a preparar o homem para o futuro, forma-o também para o presente, para a sociedade. Melhorando-se moralmente, os homens prepararão na Terra o reinado da paz e da fraternidade.
O educando é um espírito encarnado, que traz tendências morais e psicológicas inatas; precisa reaprender certas coisa aprendidas em outras épocas, sendo o aprender é um processo novo e um recordar. Ele evolui através: do próprio esforço (ação - exemplos, atividade) e da vivência (experiências, interação com o meio);
Para realizar este crescimento o Espírito terá necessidade de receber certas informações e experiência de outros seres que já as adquiriram e vivenciaram. Este é o papel da Educação:
Assim, a principal finalidade de o Espírito nascer criança outra vez é ser educado novamente. As impressões positivas que recebe durante a infância podem ser determinantes em sua existência atual e até em próximas vidas.
Uma influência negativa, transmitida pela Educação, pode complicar muito o seu futuro espiritual - mas, nesse caso, a responsabilidade moral recairá mais sobre aqueles que foram encarregados de sua educação e falharam nesta tarefa.
Assim, o processo educacional pode se desenvolver nas diversas fases da vida (infância, mocidade e madureza) e continuada a pós a desencarnação.
A infância é pois, um período muito sério, um estado de humildade porque todo recomeço requer esta virtude.

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Família

Por: S. Xavier
A família, que do ponto de vista material é um grupo de indivíduos ligados pela consanguinidade, surge ainda no reino animal. Aí, fêmea e prole, algumas vezes também o macho, permanecem juntos para proteção e treinamento dos descendentes até que estes possam cuidar de si, quando a união se desfaz.
Entre os homens, a família, além daquelas funções, possui uma dimensão moral. O período de convivência familiar proporciona igualmente aos jovens hábitos e valores que irão influenciar suas escolhas e forma de relacionamento. Por outro lado esse vínculo não se rompe mesmo quando os filhos, tornados adultos, formam novas famílias, num encadeamento de amor que felicita e vitaliza os corações para as lutas da existência.
Tendo em vista a condição espiritual pouco amadurecida da maioria da população terrena, é compreensível que a convivência familiar nem sempre transcorra harmoniosa, atravessando, por vezes, momentos difíceis, de conflito e aspereza.
Atualmente, a família se acha enfraquecida, rompe-se com facilidade e por vezes nem chega a constituir-se verdadeiramente, como é o caso dos relacionamentos caracterizados pela leviandade, nos quais a ocorrência de filhos é sempre um indesejável "imprevisto". Pessoas desorientadas utilizam os modernos recursos da comunicação para minimizar a importância da família, mencionando as restrições e eventuais sacrifícios que ela acarreta como preço, modesto, pelos imensos benefícios que proporciona, exagerando aqueles e silenciando, lamentavelmente, quanto a estes últimos.
Em "O Livro dos Espíritos", quando o Codificador indagou sobre o resultado do relaxamento dos laços da família, os orientadores espirituais foram categóricos na resposta: "Uma recrudescência do egoísmo", o que realmente se constata em nossa sociedade, o que levou alguns observadores, num evidente exagero, a qualificá-la de "pós-moral" ou do "cada um por si".
Colocando as bases da família em nosso passado espiritual, com as noções de reencarnação e causa e efeito, a Doutrina Espírita mostra que os grupos familiares não se formam ao acaso mas resultam de compromissos assumidos na espiritualidade, antes de nosso retorno à vida corporal. Mostra também que, em virtude da Lei de Progresso, a família igualmente se aprimora, convertendo-se, futuramente, em espaço privilegiado de convivência fraterna, no qual corações afins se encontrarão para refazimento e apoio mútuo na busca de realizações sempre maiores no campo do bem, na construção da família universal.

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Família, Espiritismo e Hereditariedade

Por: Armando Correa de Siqueira Neto
Não se prenda às suas tristezas, contudo não deixe de vivê-las. Nem lá, nem cá. Observe calmamente e saboreie estes momentos, pois se encerra neles, justamente, a oportunidade de crescer e evoluir quanto ao desenvolvimento humano e ascender a condições melhores de sabedoria e amor. Todos queremos o céu, mas esquecemo-nos da trajetória, procurando adiar a caminhada. Dor e sofrimento fazem parte da natureza que habita em nós. São elas as formas pelas quais nos incomodamos e reagimos, e assim damos novos passos. E, mesmo sem perceber, modificamos o que fomos há pouco ou muito. É uma tentativa vã fugir das mudanças.
Vivenciar a dor e o sofrimento com menor receio nos aproxima de nós mesmos, levando-nos ao autoconhecimento, elemento crucial para que vivamos em maior plenitude. Quanto mais nos conhecemos e nos aceitamos, tanto melhor crescemos. Enxergando-nos com honestidade, abre-se a chance de modificar o que entendemos que deva ser modificado. Enganar-se, retarda qualquer modificação de nossa parte. É tarefa difícil compreender que o sofrimento existencial é um componente de nossa dinâmica de se viver, ao contrário, o enxergamos como um castigo, ou uma punição apenas.
Por outro lado, é justo almejar a alegria e o contentamento. Entretanto, é a eles que pretendemos nos apegar, procurando desconsiderar o seu oposto: as aflições. Vivemos a época da busca incontrolável pelo prazer. Busca-se o extremo nesta direção, e isso faz clara oposição a qualquer dissabor. Cria-se muita dificuldade em aceitar o que não faz parte do mundo prazeroso. É claro que se trata apenas de uma ilusão, mas ela tem poderosa força e ganha adeptos em crescente velocidade. São ideias que nos chegam de fora e as incorporamos. Crescemos aprendendo desta forma, e com isso nos tornamos presas fáceis da própria falta de conhecimento acerca de si mesmos, por não permitir o acesso que leva ao conhecimento do mundo de dentro.
Cuidado, não maldiga os momentos em que as aflições estão presentes, e tampouco tente fugir. A recusa implica em atraso, em lentas passadas nas viagens que temos pela frente. Mude aos poucos a percepção a respeito destas condições. Perceba as vantagens que podem ser aproveitadas, ainda mais se aceitarmos a inevitabilidade de ter que passar por estes momentos. Conquiste a calma necessária para lidar melhor mediante os sofrimentos da vida. Conhecer a este respeito já nos oferece uma posição privilegiada.
Com o sofrimento, o choro chega também, e ele traz alívio. É um amigo que conforta, deixando clara a sua missão: expressar o que vem do âmago, e ao mesmo tempo consolar. Se precisarmos reduzir o sofrimento, temos o recurso natural: o chorar. Chore, e lembre-se da sábia frase de Jesus: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.
Confie em si mesmo, nas suas sensações e reflexões. Creia mais nas coisas que emanam de seu interior, elas são legítimas. As alegrias e aflições formam-se dentro de nós, e por esta razão, dizem respeito ao destino que lhes daremos. De que maneira nós as trataremos? É uma decisão particular, que pode até ser dividida e receber apoio, todavia é único o encaminhamento a ser dado.
Os momentos em que nos recolhemos e ficamos introspectivos e mais reservados devem ser aproveitados para uma bela e frutífera viagem interior. Nela, nos permitimos acessar sentimentos e situações diversificadas, como um relacionamento rompido e ainda aberto, um medo mediante certa decisão a ser tomada, mágoa, frustração, etc.

Temer menos a dor e o sofrimento aumenta a capacidade de se superar e aceitar, cada vez melhor, os reveses da vida. Amplia as chances de evolução. Há uma frase que descreve com propriedade as razões da aflição: “Quanto mais numerosos os espinhos, mais belas serão as rosas”. Permitamos-nos ao convívio mais abrangente de tantas coisas que ainda não ocupam o espaço necessário e enriquecedor de nossas vidas.

Ouvidos de ouvir

       
   Por: Leda Maria Flaborea
Irmão X, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, narra um fato ao qual deu o título de Os Três Crivos. Conta-nos ele que certo homem aproximou-se de Sócrates, dizendo ter algo grave a lhe contar. O prudente sábio perguntou ao interlocutor se já havia passado o assunto pelos três crivos. “Quais crivos?”, perguntou espantado o homem. “Primeiro”, disse o filósofo, “o crivo da verdade: tem certeza da veracidade do quer comunicar?” O interlocutor disse que não, pois só ouvira dizer. Sócrates continuou perguntando se ele já havia passado o assunto pelo crivo da bondade e o homem negou argumentando que de bom nada havia. Diante disso, o sábio recorreu ao terceiro crivo, o da utilidade e, prontamente, o interlocutor disse que de útil, também, nada havia. “Bem, rematou o filósofo num sorriso, se o que tens a confiar não é verdadeiro, nem bom e nem útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós”... 
Nessa pequena história, parece-nos muito claro o ensinamento de Jesus: “Quem tem ouvidos de ouvir, ouça”. Todos, indistintamente, aguardamos ouvir os chamamentos de Jesus. Esperamos que vozes celestiais nos cheguem aos ouvidos convocando-nos para, em nome do Mestre, realizarmos grandes obras. É justo esperar, mas será que não precisaríamos antes melhorar nossa audição para ouvir os chamamentos? 
Emmanuel, na lição 72 do livro Palavras de Vida Eterna, nos lembra que analisar, refletir e ponderar são modalidades do ato de ouvir, pois que necessitamos estar atentos e dispostos a identificar o sentimento das vozes, bem como as sugestões e situações que as rodeiam. Mas, por que precisamos ter esse cuidado? Porque somente após aprendermos a ouvir com atenção, analisar o que se ouviu, a refletir sobre as palavras ditas, os sentimentos que as moveram e a ponderar sobre a sua utilidade - para o nosso crescimento e o dos outros - é que poderemos falar de modo edificante na estrada evolutiva que ora trilhamos. 
O Orientador Espiritual nos lembra que quem ouve, aprende, e quem fala, doutrina. O primeiro, retém, e o segundo, espalha, e somente aquele que guarda, na experiência que renova, pode espalhar com êxito. Todos nós, em experiência planetária, nascemos com uma função definida, pouco importando que seja simples ou complexa. Para Deus, qualquer que seja sua importância, estará sempre ligada à nossa necessidade individual de aprimoramento. Nós, por não entendermos os desígnios divinos, é que não aceitamos essa condição. Julgamo-nos merecedores de tarefas mais importantes, de maior destaque, sem nos atermos ao fato de que, muitas vezes, sequer conseguimos realizar as pequenas tarefas diárias que nos são confiadas, ou pelas quais nos responsabilizamos. Apenas falando pode ser que abandonemos o trabalho no meio. Entretanto, se começarmos realmente a ouvir sempre e mais, com certeza, atingiremos, e de forma serena, os fins aos quais nos destinamos. 
Quando falamos em ouvir os chamamentos de Jesus é necessário nos lembrarmos do seguinte: no Cristianismo, o chamamento do Mestre tem um significado bem específico, ou seja, o apelo do Cristo ao ministério religioso. Todavia, à luz do Espiritismo, ele é muito mais amplo, pois que, em cada situação da nossa existência, estejamos encarnados ou desencarnados, podemos registrá-los. Senão, vejamos: no seio familiar ele surge através dos problemas difíceis que necessitamos solucionar, após ouvir, com serenidade e isenção de ânimos, as partes envolvidas; diante do companheiro desconhecido que nos solicita cooperação; à frente do adversário que pede tolerância e entendimento, nos conclamando ao perdão com o esquecimento do ato ofensivo; junto ao enfermo a nos solicitar a assistência amorosa, seja no trato das feridas físicas ou espirituais; e na atitude de bondade e compreensão que nos roga a criança, exigindo de nós cuidados maiores diante da fragilidade dessa planta que necessita das mãos fortes do adulto para não fenecer. 
Somos todos discípulos de Jesus, precisando ouvi-Lo, dando testemunhos da nossa fidelidade aos ensinamentos que deixou,  procurando segui-Lo onde estejamos e como estejamos, na certeza de que, somente através do exercício constante no bem, estaremos atendendo ao chamamento do Divino Amigo, porque teremos então ouvidos de ouvir.

Referências:
Emmanuel (Espírito). Palavras de Vida Eterna – [psicografado por] Francisco Cândido Xavier – 20ª ed., Edição CEC – UBERABA/MG - lições 72,87 e 95.
Fonte Viva – [psicografado por] F.C.Xavier – 16ª ed., FEB – RIO DE JANEIRO/RJ - lições 32 e 153.
Caminho, Verdade e Vida – [psicografado por] F.C.Xavier – 17ª ed., FEB – RIO DE JANEIRO/RJ - lição 77.
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Laços de família

Por: Leda Maria Flaborea
Os laços familiares não são obras do acaso. São o cumprimento da Lei de Causa e Efeito, que representa o dever da responsabilidade que temos sobre nossa conduta, seja através de atos, palavras ou pensamentos, que une esses seres no presente impelidos pelas causas do passado. Por essa razão, temos famílias nas quais vige o desentendimento entre seus membros, famílias em que a harmonia impera entre seus membros e famílias em que existe, às vezes, um indivíduo que destoa dos demais membros.
Com vistas à Lei do Progresso – da qual nada nem ninguém escapa – os seres se reúnem para saldarem as dívidas de uns para com os outros. Muitas vezes, tentamos fugir desses débitos, mas não adianta, porque seremos sempre constrangidos a liquidá-los com nossos credores. Mais cedo ou mais tarde, estaremos juntos a eles no cumprimento dos desígnios divinos.
Por esse motivo, a equipe familiar, no mundo, nem sempre é um jardim florido. Na maioria das vezes, é um espinheiro de preocupações e de angústias que exige, de cada um de nós, um grande número de renúncias e sacrifícios, que nem sempre estamos dispostos a fazer. Então, mais uma vez, é preciso lembrar que seremos chamados a prestar contas das nossas atitudes despóticas dentro do lar, da nossa intolerância, da nossa negligência para com os seres que foram colocados ao nosso lado, da nossa intransigência em não aceitar as diferenças nas formas de pensar e agir, numa guerra psicológica surda, que pode ter consequências dolosas para os seres mais frágeis que compõem o grupo familiar e a quem deveríamos dar proteção. Seremos, sim, chamados a responder pelo que fizermos aos nossos filhos, aos nossos pais, aos nossos companheiros de jornada.
Todos os parentes, sejam eles consanguíneos ou afins, começando pelos nossos pais, são obras de amor que Deus nos deu a realizar. É preciso ajudá-los, amparando-os, através da cooperação, do carinho, atendendo aos desígnios da fraternidade, lembrando que a caridade começa em nosso lar. Nossos pais, por exemplo. A lei humana exige – sob pena de responsabilidade penal – que eles sejam assistidos em suas necessidades, sobretudo se impedidos de conseguir seu próprio sustento. E o que fazemos? Nós os colocamos nos menores quartos, dando somente e estritamente o necessário, sem nos lembrarmos dos pequenos gestos, que tanto aquecem o coração. Isso quando não os forçamos a trabalhos domésticos, como forma de pagamento por aquilo que lhes é de direito − nosso dever de cuidado.
Mas, a lei moral que nos alcança, além da lei humana, orienta-nos – sob pena de sermos chamados à responsabilidade diante das Leis Divinas – a cuidar deles em atenção às suas necessidades, inclusive, e, principalmente, as afetivas.
A Instrutora Espiritual Joanna de Ângelis lembra esse nosso dever com a seguinte frase: “não percas a oportunidade de semear dentro de casa”, porque ela é a primeira escola de amor onde somos colocados para aprender a amar.
Um exemplo que podemos destacar são os déspotas domésticos: pessoas dóceis fora de casa e que criam o terror dentro dela, fazendo com que sejam temidos por criaturas que deveriam amá-los. Tristes figuras essas que dizem orgulhosos: “em casa sou obedecido, porque todos me temem”, porque poderiam acrescentar a essa frase: “e também sou odiado”.
O lar é uma praia estreita que nos dá condição, através das vivências que ali experimentamos, de servirmos com êxito – no futuro - no mar alto das grandes experiências. É preciso aprender no pouco para experimentar no muito com maior segurança.
Assim, o exemplo que cada um de nós dá no ambiente doméstico passa a ser o adubo que vai propiciar o desenvolvimento de valores positivos ou negativos nesse meio, fortalecendo ou não atitudes que poderão, mais tarde, comprometer, diante das Leis de Deus, o processo evolutivo dos Espíritos envolvidos nesse processo de reajuste reencarnatório. Sob esse prisma, podemos entender, então: 1 – que uma família não se mede pelo número de membros que a compõe ou pelo tempo que essas pessoas passam juntas; 2 – que não é um ato religioso ou civil que forma uma família, mas o sentimento que une essas pessoas e que dá sentido à palavra família.
Desse modo, cabe uma pergunta que Kardec fez aos Espíritos superiores: “A família acaba com o desencarne de seus componentes?” E os Benfeitores responderam que quando o sentimento que une essas pessoas é verdadeiro, baseado no amor, no respeito, no companheirismo de uns para com os outros, ela sobreviverá além da vida material. Esses laços são fortes e mais se consolidam no plano espiritual. Encontram-se lá e reúnem-se de novo para outras tarefas na vida material. Temos aí as famílias harmoniosas.
Agora, quando os sentimentos são de ordem puramente material, baseados no egoísmo e no orgulho, nas ilusões de nomes ilustres, de cargos, fortunas ou beleza física, o desencarne, às vezes, apenas de um dos seus membros, romperá esses laços e a família desaparecerá. Não mais se encontrarão na vida espiritual como tal, mas deverão reencontrar-se em novas existências para saldarem os débitos contraídos uns com os outros. É isso que explica a existência de famílias em desequilíbrio, em constante desarmonia, em eternas cobranças.
Por essa razão, a advertência de Jesus ainda é muito preciosa: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”. Inicia, dentro do lar, o plantio de amor que irá converter-se em colheita farta de bons frutos.

------------- Bibliografia: KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. 14.
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